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A Ilha de Mosqueiro possui 17.000 ha e faz parte da área insular de
Belém, sendo a maior das 43 ilhas. Sua orla possui 17 km e abriga as praias do Areão, Bispo, Praia Grande, Chapéu Virado, Farol, Ariramba, Murubira, Porto Arthur, São Francisco, Carananduba, Marahú, Caruara, Paraíso e Baía do sol. A parte insular de Belém teve participação importante na história sócio-econômica regional pela riqueza de suas atividades extrativistas desde a época colonial (pesca, coleta de frutos e sementes oleaginosas, cultivo de mandioca e produtos derivados, açaí e castanhas), de sua agricultura tradicional e dos saberes da população, tradicionalmente adaptados aos ecossistemas da foz do grande rio Amazonas (com destaque para as habilidades dos pescadores, remadores, barqueiros, mateiros, apanhadores de açaí, de sementes de andiroba, etc.).

Descendentes dos índios tupinambás, dos colonizadores portugueses e dos tapuios, os caboclos paraenses assistiram, no período da riqueza da borracha, a chegada dos comerciantes e técnicos estrangeiros, que descobriram os encantos das praias de rio. Começou, assim, em finais do século XIX, a utilização da Ilha de Mosqueiro como lugar de lazer.
No século XX, a modernização dos navios selou, de forma rápida, o encontro dos moradores de Belém e de todos os paraenses com as belas praias da Ilha. Desde então convivem moradores permanentes da Ilha, com seu fluxo de veranistas e turistas, nacionais e estrangeiros. A construção da ponte ligando o continente à Ilha intensificou o movimento turístico, tanto quanto atraiu mais moradores, imigrantes de diversos lugares do próprio Estado do Pará.
A proximidade de Belém (77 km) e a facilidade do transporte rodoviário permitiram a Mosqueiro, desde o final do século XX, integrar-se a Belém, como uma zona de expansão urbana, um Distrito dos mais complexos para administrar e atender as demandas de sua população. Possuía, em 2000 (IBGE), uma população de 27.777 hab. Essa população varia conforme a época do ano, sendo o seu ápice em julho, quando chega alcançar a população estimada de 400.000 hab.
O aspecto urbano dessa população é marcado, como tem acontecido nas periferias das áreas metropolitanas brasileiras, pela especulação imobiliária e pelo crescimento desordenado, sendo essas características potencializadas pelas invasões e ocupações urbanas.
No aspecto rural, o esforço de pesca aumentou, o extrativismo conheceu limites em muitas áreas, o desmatamento se acelerou e a qualidade de vida ficou ameaçada. Poucos empregos foram oferecidos para a população que já não pode viver somente do extrativismo e não dispõe de terra para a agricultura. Os jovens são os mais afetados pelo falta de empregos.

Nas praias, todos querem vender comidas e bebidas aos freqüentadores, mas essas atividades são sazonais, dependedno do calendário turístico.
Expostas ao ócio e aos riscos que vem dos contatos com os freqüentadores das praias, as crianças, adolescentes e jovens têm poucas chances educacionais e de habilitação profissional. As organizações que atuam com esse segmento da sociedade alertam para os riscos dessa situação e recomendam intervenção em atividades complementares à escola e às políticas públicas. A Pastoral da Criança, programa da Igreja Católica, orienta e apóia o crescimento infantil junto às mães, com cuidados e suplementação alimentar natural, encontrando as famílias onde elas estiverem, com resultados mundialmente conhecido, no campo do combate à desnutrição.

O Programa Família Saudável, do governo municipal no período 2000-2004, visitava as famílias num trabalho de medicina preventiva bastante audacioso. O UNICEF no Brasil e, sobretudo na Amazônia, atua orientando e estimulando projetos e parcerias na sociedade civil, voltados para a educação fora da escola e para a inclusão social.

O governo federal tem o Programa Bolsa Escola, mais recentemente denominado Bolsa-Família, que consiste num apoio financeiro à família, exigido em contrapartida que a família se responsabilize pela ida à escola de suas crianças.
A escola pública, por sua vez, oferece merenda escolar, criando o paradoxo de que ir a escola é também ter alimentação assegurada. Porém, na contramão, convive com ausências injustificadas de professores, nos quatro turnos diários, gerando a figura do estudante fora da escola, no horário de funcionamento da escola.
Dispensados da escola em muito do tempo contado como sendo de atividade escolar e submetido a rotinas familiares pouco disciplinadoras as crianças e os adolescentes ficam muitas horas de seu dia longe da família e da escola, expostas aos perigos da rua. As políticas públicas reunidas não são suficientes para solucionar a grave situação de risco social que representa para as famílias pobres e desestruturadas viverem em áreas de lazer e turismo sem comprometerem a vida social de seus jovens Juntas, a questão educacional e a questão ambiental oferecem um desafio, qual seja, o de ser uma sociedade que precisa cuidar da devastação de seus recursos naturais, quando ainda não solucionou a questão da educação de seus filhos e da qualidade de vida.

Fotos da Ilha de Mosqueiro

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